quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O salto alto e a postura

O salto alto deixa a mulher mais elegante, porém seu uso deve ser limitado, pois pode causar alguns problemas posturais, gerando dores nas costas, joelhos, quadris, tornozelo, além de deformidades como o joanete.
Qualquer alteração em algum ponto do nosso corpo repercute em outro. O uso do salto alto causa compensações gerados pelo desvio do ponto de gravidade: A cabeça inclina-se para frente compensando a posteriorização dos ombros, ocorre aumento da lordose lombar, etc.
Como sempre falo para meus amigos, alunos e pacientes, nosso corpo não foi criado para realizar movimentos repetitivos, nem permanecer por muito tempo estático. O excesso e/ou a falta são prejudiciais para as estruturas do nosso corpo, sendo a coluna a região mais sensivel e dificil de ser tratada devido a função e complexidade de suas estruturas.
Nosso corpo precisa de equilibrio e neutralidade. A dica para as mulheres é: Varie o tipo de sapato no dia a dia, evite os sapatos com salto acima de 5 centimetros, assim como as rasteirinhas.
Nosso corpo sempre nos da sinais de que alguma coisa está errada. Esses sinais podem vir através de dores e, no caso dos sapatos com saltos, em forma de calos. Os calos indicam que aquela região do pé está sendo sobrecarregada. Normalmente, a região anterior do pé é a mais sobrecarregada com os saltos, devido a uma sobrecarga.
É comum, as mulheres que usam salto alto constantemente, sentirem dores lombares, isto ocorre devido a um aumento da lordose lombar por compensação da postura alterada pelo salto. Joelhos e quadris também são sobrecarregados. A ocorrência de entorses também é comum pela alteração do centro de gravidade e perda da sensibilidade da pisada. Quando o salto alto está associado ao sedentarismo e obesidade, os problemas aumentam bastante. Diabéticos nem pensem em usar salto alto, principalmente para os casos descompensados.
Nosso corpo sempre nos da sinais de que algo está errado, basta prestarmos atenção em nossos hábitos e atitudes que desvendaremos grande parte dos nossos problemas.
Abaixo. ilustração figura publicada pelo ortopedista Tulio Dinis:



sábado, 25 de agosto de 2012

Febre e dor nas costas - Espondilodiscite


A espondilodiscite é uma complicação bastante comum da brucelose. É considerada pouco freqüente, de difícil diagnóstico principalmente em regiões com alta prevalência de tuberculose, visto que esta pode mimetizar o quadro de brucelose. A prevalência mundial da brucelose é de cerca de 500 mil casos por ano e é necessário um diagnóstico precoce e tratamento a fim de se evitar possíveis sequelas.
No Brasil, é considerada uma doença ocupacional. A transmissão dá-se através do consumo de produtos infectados, tais como: leite não pasteurizado e seus derivados; contato direto com animais infectados ou inalação de partículas de aerossóis contendo fragmento bacteriano. Clinicamente, a doença caracteriza-se, geralmente, como uma febre de origem indeterminada, envolvendo muitos órgãos e tecidos com sintomas constitucionais como: perda ponderal (perda de peso),astenia (fraqueza), lombalgia, artrite, entre outros. O envolvimento vertebral é o mais difícil de se diagnosticar e tratar devido ao longo período de latência da infecção. A rotina clínica e laboratorial pode não ser suficiente para diagnosticar a patologia, uma vez que a lombalgia pode fazer parte do curso natural da doença. O diagnóstico de brucelose vertebral é feito baseado em características clínicas, laboratoriais e achados radiológicos.


O diagnóstico diferencial torna-se difícil, pois o envolvimento vertebral por brucelose pode mimetizar uma série de patologias como: espondilodiscite tuberculosa; osteomielite piogênica; lesões metastáticas; plasmocitoma; actinomicoses e hérnia de disco.
A febre é o principal sintoma de brucelose, muitas vezes com calafrios. A brucelose afeta a coluna torácica, sendo que em pacientes mais velhos, 60% dos casos afeta a coluna lombar, na maioria das vezes no nível L4 ou L5 e em crianças a articulação sacroilíaca é mais frequentemente envolvida
 Segundo alguns autores, tem sido sugerido que a ocorrência de dor nas costas, as elevações na taxa de sedimentação de eritrócitos e do nível sérico de proteína C-reativa, uma história de tuberculose anterior, e envolvimento de elementos posteriores da coluna vertebral em imagens é patognomônico (parecido) de tuberculose . A destruição dos corpos vertebrais, geralmente na região torácica ou toracolombar, é mais comum na tuberculose, enquanto a destruição do disco é visto com mais freqüência em brucelose
Este artigo tem como objetivo mostrar o quanto é importante procurar auxilio médico assim que surgirem dor nas costas associada a estado febril. O diagnóstico precoce de brucelose com envolvimento vertebral pode evitar sequelas irreparáveis e complicações neurológicas
A ressonância e a tomografia computadorizada mostram-se extremamente sensíveis à detecção da brucelose com envolvimento vertebral. A opção terapêutica mais referida na literatura é o esquema tríplice estreptomicina, doxiciclina e rifampicina por pelo menos 45 dias, preconizado também pela OMS.


 
Fontes:  

The New England Journal of Medicine, agosto - 2012.

Mello, C.C.F., et all.; Espondilodiscite por brucelose: relato de caso, Revista da Sociedade brasileira de medicina tropical,vol.40 no.4 Uberaba July/Aug. 2007

domingo, 19 de agosto de 2012

Artigos cientificos - Cuidado com o que lemos!

Nem tudo que reluz é ouro!! Infelizmente, os interesses economicos e corporativos imperam em todas as áreas e na área da saúde não é deferente. 
Ao pesquisarmos sobre um patologia, por exemplo, ( principalmente na internet) devemos ter o cuidado de ler o maior número de trabalhos publicados recentemente sobre o assunto e comparar o que diferentes autores constataram em seus trabalhos. 
Em matéria levada ao ar pelo fantástico em 05/08, veio a tona a moda (ou industria) do antienvelhecimento, onde médicos oferecem tratamentos hormonais condenados pelo Conselho federal de medicina (cinco médicos já foram cassados). A industria do suplemento alimentar também é fortíssima e muitas empresas divulgam resultados de seus suplementos sem nenhuma comprovação cientifica, também não falam sobre os maleficios hepáticos renais, etc, causados pelo uso continuo de determinadas substâncias.
Em uma pesquisa realizada nos EUA, foi observado que cientistas são excluídos de artigos ou assinam trabalhos dos quais não participaram. Para especialistas, fraude de dados e conflitos de interesse com a indústria também preocupam. Um em cada cinco artigos científicos das principais revistas médicas do mundo tem problemas de autoria. O dado é de um estudo da Associação Médica Americana que analisou seis periódicos de prestígio: "Annals of Internal Medicine", "Jama", "Lancet", "Nature Medicine", "New England Journal of Medicine" e "PLoS Medicine". Foram encontrados casos de autores "fantasma" (que participaram do trabalho, mas não são citados) ou indevidos (que assinam a pesquisa sem ter contribuído). Essas práticas são condenadas pela ética científica. Manuais recentes das principais agências de financiamento à ciência do mundo determinam que deva ser autor ou coautor de artigos quem contribuiu significativamente para o trabalho. "O fato de um indivíduo ter usado um laboratório que você coordena para fazer um experimento não quer dizer que você será coautor do trabalho dele", exemplifica Mário José Abdalla Saad, diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Para ele, embora existam normas claras para identificar autores e coautores das pesquisas, ainda há uma espécie de "zona cinzenta". "Uma pessoa pode ter participado de maneira 'braçal' de uma pesquisa de modo decisivo. É preciso ter bom-senso para definir a autoria." O levantamento dos dados da Associação Médica Americana foi feito por um questionário respondido por e-mail por 630 autores principais de trabalhos publicados em 2008 nas principais revistas médicas do mundo. Os cientistas responderam a 30 questões sobre a definição dos autores dos estudos dos quais participaram. No resultado, 21% dos trabalhos apresentaram autoria indevida. A porcentagem é menor que em 1996, quando os autores inapropriados apareciam em 29% dos artigos científicos na área médica. Mas, para os autores, os números continuam altos. O estudo está publicado no "British Medical Journal". De acordo com Saad, da Unicamp, a autoria indevida é um problema, por exemplo, no processo seletivo de um pesquisador em uma universidade ou instituição de pesquisa. Isso porque os artigos contam pontos na seleção. "Mas é preciso lembrar que critérios como entrevista e prova também são levados em conta", afirma. Para ele, os conflitos de interesse das pesquisas financiadas pela indústria farmacêutica, por exemplo, envolvem questões éticas ainda mais preocupantes. "Outra questão que deve ser destacada é o plágio. O pior tipo de fraude é copiar reproduzir ideias sem mencionar a fonte", analisa Saad. O biólogo Marcelo Hermes-Lima, da UnB (Universidade de Brasília), lembra ainda que fraudar dados nas pesquisas médicas é algo gravíssimo, pois afeta diretamente a vida das pessoas. Ele destaca uma pesquisa publicada em maio no "Journal of Medical Ethics", que mostrou que 188 artigos retratados com fraude na área médica envolveram 17.783 pessoas - e receberam mais de 5.000 citações de outros cientistas, que deram continuidade às pesquisas.

Fonte: Folha de S. Paulo – Caderno Ciência.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Viscosuplementação na osteoartrite

Muitos pacientes tem me perguntado sobre esta técnica, principalmente àqueles com osteoartrite de joelho, portanto resolvi postar sobre o assunto.
A osteoartrite (OA) também é conhecida como artrose ou osteoartrose. Trata-se de uma doença que afeta pelo menos 20% da população mundial, sendo a terceira causa de afastamento do trabalho. Sua manifestação causa dores e progressivamente vai limitando os movimentos, dificultando a realização das tarefas mais simples.
Apesar de ser bastante associada ao envelhecimento, a OA pode ser estar ligada a vários fatores como: genéticos (sexo, distúrbios genéticos relacionados ao colágeno tipo II, outras alterações genéticas dos ossos e articulações, raça, grupo étnico), não-genéticos (idade avançada, obesidade, menopausa, doenças articulares ou ósseas adquiridas, cirurgia articular prévia) e ambientais (ocupação, trauma articular importante, lesões, ou atividades esportivas) (SATO, 2004). 
Uma das técnicas utilizadas atualmente com o intuito de atenuar as complicações geradas pela OA chama-se viscosuplementação. A viscossuplementação é a reposição do líquido sinovial através da injeção de ácido hialurônico dentro do espaço intra-articular. O ácido hialuronico (AH), é um composto presente em todos os órgãos do corpo. O AH tem a função, por exemplo, de manter o volume da pele a partir do preeenchimento do espaço entre as células e lubrificar as articulações. Sua presença em nosso corpo diminui com o avanço da idade, causando alterações relacionadas a hidratação e elasticidade da pele e lubrificação das articulações. 
Com a infiltração do AH na articulação, temos uma articulação com maior lubrificação, maior volume e diminuição da dor pois irá evitar o atrito entre os ossos que compôe a articulação afetada pela OA. A técnica é realizada após anestesia local, onde o médico habilitado injetará o AH na articulação afetada através de uma agulha especial. O paciente sentirá os efeitos positivos da técnica após a 3ª infiltração para as articulações maiores (ombro, quadril, joelho) e efeito mais rápido para as pequenas articulações (cotovelo, punho, tornozelo). Vale lembrar que os efeitos positivos desta técnica variam muito, dependendo do grau de comprometimento gerado pela doença. Em casos mais avançados, o paciente pode não sentir melhoras, por isso é importante conversar com o seu médico antes de realizar o procedimento.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

20 dicas para viver mais e melhor

As Universidades de Medicina de Harvard e Cambridge publicaram recentemente um compêndio com 20 Conselhos saudáveis para melhorar a qualidade de vida de forma prática e habitual:

 

01- Um copo de suco de laranja diariamente para aumentar o ferro e repor a vitamina C .

02- Salpicar canela no café (mantém baixo o colesterol e estáveis os níveis de açúcar no sangue).

03- Trocar o pãozinho tradicional pelo pão integral
O pão integral tem 4 vezes mais fibra, 3 vezes mais zinco e quase 2 vezes mais ferro que tem o pão branco.

04- Mastigar os vegetais por mais tempo.
Isto aumenta a quantidade de químicos anticancerígenos liberados no
corpo. Mastigar libera sinigrina. E quanto menos se cozinham os
vegetais, melhor efeito preventivo têm.

05- Adotar a regra dos 80%:
Servir-se menos 20% da comida que costuma comer, dessa forma, você evita transtornos
gastrintestinais, prolonga a vida e reduz o risco de diabetes e ataques de coração. Portanto, fuja dos rodízios!

06- LARANJA - o futuro está na laranja, que reduz em 30% o risco de câncer de pulmão.

07- Fazer refeições coloridas como o arco-íris.
Comer DIARIAMENTE, uma variedade de vermelho, laranja, amarelo, verde, roxo e branco em frutas e vegetais, cria uma melhor mistura de antioxidantes, vitaminas e minerais.

08- Usar molho de tomate na comida.
O Licopeno, um antioxidante dos tomates pode inibir e ainda reverter o crescimento
dos tumores; Obs: Ele é melhor absorvido pelo corpo quando os tomates estão em molhos.

09- Limpar sua escova de dentes e trocá-la regularmente.
As escovas podem espalhar gripes e resfriados e outros germes. Assim, é recomendado lavá-las com água sanitária ou quente pelo menos quatro vezes à semana, sobretudo após doenças, quando devem ser mantidas separadas de outras escovas.


10- Realizar atividades que estimulem a mente e fortaleçam sua
memória...

Faça alguns testes ou quebra-cabeças, palavras-cruzadas, aprenda um idioma, alguma habilidade nova... Leia um livro e memorize parágrafos; escreva, estude, aprenda. Sua mente agradece e seus amigos também, pois é interessante conversar com alguém que tem
assunto. Assista menos novelas!

11- Usar fio dental e não mastigar chicletes.
Acreditem ou não, uma pesquisa deu como resultado que as pessoas que
mastigam chicletes têm mais possibilidade de sofrer de arteriosclerose, pois tem os vasos sanguíneos mais estreitos, o que pode preceder a um ataque do coração. Usar fio dental pode acrescentar seis anos a sua idade biológica porque remove as bactérias que atacam aos dentes e o corpo.

12- Rir.
Uma boa gargalhada é um 'mini-workout', um pequeno exercício físico: 100 a 200 gargalhadas equivalem a 10 minutos de corrida. Baixa o estresse e acorda células naturais de defesa e os anticorpos. Uma boa dica: desenhos do pica pau!

13- Não descascar com antecipação.
Os vegetais ou frutas, sempre frescos, devem ser cortados e descascados na hora em que forem consumidos. Isso aumenta os níveis de nutrientes contra o câncer. Sucos de fruta têm que ser tomados assim que são preparados.

14- Ligar para seus parentes/pais de vez em quando.
Um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard concluiu que 91% das pessoas que não mantém um laço afetivo com seus entes queridos, particularmente com a mãe, desenvolvem alta pressão, alcoolismo ou doenças cardíacas em idade temporã. Evite ligar somente quando precisa de dinheiro emprestado!

15- Desfrutar de uma xícara de chá.
O chá comum contém menos níveis de antioxidantes que o chá verde, e beber só uma xícara diária desta infusão diminui o risco de doenças coronárias. Cientistas israelenses também concluíram que beber chá aumenta a sobrevida depois de ataques ao coração. Chá de gengibre é ótimo.

16- Ter um animal de estimação.
As pessoas que não têm animais domésticos sofrem mais de estresse e visitam o médico regularmente, dizem os cientistas da Cambridge University. Os mascotes fazem você sentir-se otimista, relaxado e isso baixa a pressão do sangue. Os cães são os melhores, mas até um peixinho dourado pode causar um bom resultado. Só que lembre-se: Você vai precisar limpar as sujeiras do bichinho e tudo mais...mas vale a pena!

17- Colocar tomate ou verdura frescas no sanduíche.
Uma porção de tomate por dia baixa o risco de doença coronária em 30%, segundo cientistas da Harvard Medical School; vantagens outras são conseguidas atráves de verduras frescas.

18- Reorganizar a geladeira.
As verduras em qualquer lugar de sua geladeira perdem substâncias nutritivas, porque a luz artificial do equipamento destrói os flavonóides que combatem o câncer que todo vegetal tem. Por isso, é melhor usar á área reservada a ela, aquela caixa bem embaixo ou guardar em um tape ware escuro e bem fechado.

19- Comer como um passarinho.
A semente de girassol e as sementes de sésamo nas saladas e cereais são nutrientes e antioxidantes. E comer nozes entre as refeições reduz o risco de diabetes.

20- Uma banana por dia quase dispensa o médico
Vejamos: Pesquisa da Universidade de Bekeley:
"A banana previne a anemia, a tensão arterial alta, melhora a capacidade mental, cura ressacas, alivia azia, acalma o sistema nervoso, alivia TPM, reduz risco de infarto, e tantas outras coisas mais, então, é ou não é um remédio natural contra várias doenças?"

E, por último, um mix de pequenas dicas para alongar a vida:

- Comer chocolate.
Duas barras por semana estendem um ano a vida. O amargo é fonte de
ferro, magnésio e potássio.


- Pratique exercícios físicos
Escolha uma atividade agradável e ideal para sua necessidades e tenha disciplina (ir um dia na academia e faltar uma semana não é benéfico). Consulte o médico e faça uma avaliação física antes de começar. 

- Pensar positivamente .
Pessoas otimistas podem viver até 12 anos mais que os pessimistas, que, além disso, pegam gripes e resfriados mais facilmente, são
menos queridos e mais amargos.
 
- Ser sociável.
Pessoas com fortes laços sociais ou redes de amigos têm vidas mais
saudáveis que as pessoas solitárias ou que só têm contato com a
família.

- Conhecer a si mesmo .
Os verdadeiros crentes e aqueles que priorizam o 'ser' sobre o
'ter' têm 35% de probabilidade de viver mais tempo, e de ter
qualidade de vida...

Não parece tão sacrificante, não é verdade? Uma vez incorporados, os conselhos, facilmente tornam-se hábitos...


É exatamente o que diz uma certa frase de Sêneca:
"Escolha a melhor forma de viver e o costume a tornará agradável! Crie bons hábitos e torne-se escravo deles, como costumamos ser dos maus hábitos."

Viver bem é mais simples do que imaginamos, porém o que é simples nem sempre é fácil. O hábito e a disciplina tornam as coisas mais fáceis e agradáveis.

Hugo D. Campos

sábado, 28 de julho de 2012

Ergonomia em sala de aula

Ergonômia é a ciência que estuda a interação entre o individuo e seu ambiente de trabalho. A nível escolar, podemos considerar que a ergonomia é a perfeita interação do aluno com seu ambiente, mais particularmente a sala de aula. É neste ambiente que o aluno vai permanecer grande parte de sua infância e adolescência, é onde ele vai desenvolver as potencialidades que lhe ajudarão a se tornar um individuo capaz transformar o mundo onde vive.
Para iniciarmos, um grande problema enfrentado pelas crianças em idade escolar está relacionado ao mobiliário escolar. Várias pesquisas demonstram que as alterações posturais do adulto, podem ter início nos primeiros anos da vida escolar. O mobiliário escolar inadequado ou a sua má utilização pode acarretar danos a postura da criança que se perpetuará durante a vida adulta, comprometendo significativamente sua qualidade de vida. Além dos problemas relacionados a saúde, um ambiente escolar desequilibrado prejudica o processo de aprendizagem, já que aumenta os níveis de stress e compromete a concentração do aluno. 
O primeiro grande problema quando entramos em uma sala de aula é a falta de adequação do mobiliário as dimensões antropométricas dos alunos. É normal encontrarmos crianças de educação infantil, por exemplo, utilizando cadeiras e mesas destinadas a alunos do ensino fundamental.

A NBR 14006 da ABNT, orienta que existam três padrões de tamanhos de mesas e cadeiras para cada fase escolar, esta orientação se faz necessário devido ao fato de que dentro de uma sala de aula com alunos da mesma idade, temos níveis de desenvolvimento diferentes entres eles. 
A mesas e cadeiras são consideradas ferramentas de apoio ao processo de ensino, portanto devem oferecer segurança e conforto ao aluno. As mesas e cadeiras devem ser constituídas de material rígido, porém não pesado, deve ser mal condutor de calor, não deve conter peças ou pedaços que se soltem com facilidade, oferecendo riscos a integridade física do aluno, seu tampo deve ser de material fosco, suas bordas devem ser arredondadas, deve permitir fácil limpeza, seu formato deve ser retangular para facilitar as mudanças no arranjo da sala de aula e o local destinado ao material escolar deve ter recuo para facilitar a movimentação do aluno.
A altura da superfície de trabalho das mesas deve ser tal que os cotovelos apoiem-se sobre a mesa ou estejam numa altura ligeiramente inferior, em relação à sua superfície.
A cadeira deve oferecer espaço para acomodação das nádegas, o encosto deve compreender a região lombar e parte da torácica, deve haver espaço entre a parte posterior da perna e borda frontal do assento que deve ser arredondado, os pés devem estar integralmente apoiados no chão. O encosto do assento deve ser de no mínimo 100º e no máximo 105º.

A ergonômia de uma sala de aula inclui outros aspectos como iluminação adequada, salas bem arejadas e pintadas com cores claras claras, nunca sobressaindo aos argumentos pedagógicos. Os níveis de barulho no ambiente escolar também podem comprometer o aprendizado, portanto deve-se ter cuidado com o que acontece fora da sala de aula. 
Finalizando, a melhora do ensino no Brasil depende de vários fatores e a ergonômia, com certeza, pode acrescentar muito neste sentido, contribuindo para um ambiente escolar harmonioso e agradável. 


Professor e fisioterapeuta Hugo Duarte Campos