sexta-feira, 27 de maio de 2016

O que é Osteopatia?

Osteopatia é um sistema autônomo de cuidados de saúde primário, que se baseia no diagnóstico diferencial, bem como no tratamento de várias disfunções e prevenção da saúde, sem o auxílio de fármacos ou cirurgia. A Osteopatia enfatiza a sua ação centrada no paciente, ao invés do sistema convencional centrado na doença. A profissão de Osteopata é uma profissão de saúde distinta, com uma formação acadêmica superior e treinos clínicos específicos. A Osteopatia utiliza várias técnicas terapêuticas manuais entre elas a da manipulação do sistema musculoesquelético (ossos, músculos e, articulações) para ajudar no tratamento de doenças.

Osteopatia foi criada pelo médico americano Andrew Taylor Still por alturas da guerra civil americana nos finais do séc. XIX. Foi através da observação e investigação que fez uma correlação entre as patologias e a suas manifestações físicas.

Osteopatia é considerada uma das disciplinas da medicina alternativa, ou terapêutica não convencional, uma vez que seus princípios filosóficos são diferentes dos da medicina convencional. Os tratamentos usam uma abordagem holística da saúde, considerando que a capacidade de recuperação do corpo pode ser aumentada pela estimulação das articulações. Na prática, os tratamentos da osteopatia estão enfocados em dores nas costaspescoço e demais articulações.


Os Cursos de Osteopatia do IDOT são divididos em 5 níveis, são eles: 

Fonte: http://www.idot.com.br/osteopatia/o-que-osteopatia.html

terça-feira, 7 de julho de 2015

Colágeno não-desnaturado tipo II (UC-II®) no tratamento da artrose.

A cartilagem pode ser considerada uma espécie de mola biológica e tem como unidade básica, os glicosaminoglicanos. O colágeno tem papel principal na estrutura do tecido conferindo-lhe resistência. A composição e a complexa organização estrutural entre o colágeno e os proteoglicanos garantem as propriedades inerentes à cartilagem articular, como resistência, elasticidade e compressibilidade necessárias para dissipar e amortecer as forças, além de reduzir a fricção a que as articulações diartrodiais estão sujeitas sem muito gasto de energia. Portanto, a integridade dos componentes da cartilagem articular é essencial para garantir a função normal das articulações.


Por muito tempo, a artrose esteve ligada exclusivamente ao processo de envelhecimento, porém hoje sabe-se que o processo de degeneração da cartilagem articular inicia-se devido a uma resposta da cartilagem articular normal à injúria ou degeneração artrósica numa tentativa de reparação ineficiente. As propriedades bioquímicas e mecânicas do novo tecido diferem da cartilagem original, resultando numa função inadequada ou alterada. As mudanças da cartilagem na artrose caracterizam-se inicialmente pelo esgarçamento e fibrilação da superfície articular. Além disso, observa-se também uma fragilização da rede de colágeno entre outros acontecimentos, como consequência, temos aumento do volume do tecido devido a uma falta de tensão oriunda da fragilização da rede de colágeno. Ou seja, temos uma cartilagem instável, frágil e incapaz de realizar sua função de proteção e absorção de impactos. Dor articular após exercício vigoroso como subir alguns lances de escada pode ser indicativo de problemas articulares futuros.   
Estudos in vitro demonstraram remodelação da matriz extracelular desencadeada pela citocina em joelho normal após esforço físico intenso, fato semelhante ao ocorrido na artrite reumatóide. O óxido nítrico é produzido em grandes quantidades por condrócitos ativados por citocinas e exerce vários efeitos catabólicos como inibição da síntese de colágeno e proteoglicanos. Deste modo, muitos são os mecanismos envolvidos na patogenia da osteoartrose, levando à degradação da cartilagem e perda da função articular.
A cartilagem articular é composta primariamente de colágeno tipo II. O colágeno tipo II é a mais abundante proteína fibrilar encontrada na cartilagem articular, constituindo cerca de 80% a 85% do conteúdo de colágeno do tecido. Algumas pesquisas sugerem que a suplementação com colágeno tipo II é capaz de modular a saúde articular tanto nas osteoartrites como na artrite reumatóide, assim como reduzir os níveis circulatórios de citocinas inflamatórias. 



Pesquisas demonstram que o colágeno tipo II não desnaturado UC-II® (composição patenteada), pode ser até duas vezes mais eficaz que a condroitina e glucosamina em evitar a progressão da osteoartrose assim como dar mais mobilidade, e flexibilidade as articulações. O colágeno tipo II não desnaturado UC-II® é derivado da cartilagem do esterno do frango, é produzido através de baixas temperaturas garantindo suas características biológicas inalteradas.
Sugere-se que os benefícios articulares do UC-II® esteja relacionado a reversão das mudanças catabólitas causadas pelo esforço físico desativando a resposta imune contra o colágeno tipo II ajudando na reconstrução da cartilagem articular.
UC-II® parece ter eficácia superior a condroitina e glucosamina no que se refere ao controle da dor durante atividades diárias e esportivas.

Apesar dos benefícios apresentados pelo UC-II®, acredito que o mesmo não deve ser utilizado como única forma de tratamento das doenças que envolvem a cartilagem articulares. A atividade física adequada e bem orientada, o tratamento das disfunções através da osteopatia, melhora da postura e o controle do peso corporal são fundamentais para a saúde articular. Mais evidências cientificas são necessárias para a comprovação dos benefícios do UC-II®.

Consulte sempre um fisioterapeuta.

Hugo Duarte Campos
Crefito: 168820-F
(13) 98808-6316

domingo, 5 de julho de 2015

A Reeducação Postural Global (RPG) no controle da dor lombar durante a gravidez.

Segundo o Ministério da saúde, a gravidez não é um estado patológico e sim uma fase de mudanças e adaptações necessárias para que o feto se desenvolva adequadamente.
A dor lombar acomete pelo menos 50% das mulheres gestantes, aumentando o nível de estresse, interferindo negativamente na qualidade do sono, no desempenho profissional e na vida social da gestante. Desta forma, é necessário um tratamento adequado para a lombalgia durante a gestação.
Estudos comprovam que somente orientação médica não é suficiente para resolver o problema da dor lombar entre as gestantes, por outro lado, os exercícios de reeducação postural mostraram ser eficazes para a diminuição dos incômodos lombares.
Durante a gravidez, a mulher sofre várias alterações físicas que permitirão o adequado desenvolvimento do feto. Devido a distensão abdominal e desenvolvimento das mamas, o centro de gravidade se desloca para frente, aumentando a lordose lombar e sua base de sustentação com afastamento dos pés.  Por adaptação, a gestante compensa para trás, aumentando a descarga de peso sobre os calcanhares.
O aumento da lordose lombar devido ao aumento do peso e da sobrecarga aliada aos efeitos de uma possível ação do hormônio relaxina sobre os ligamentos e músculos da coluna vertebral da gestante, contribuem por gerar instabilidade da coluna e instalação de um quadro doloroso..



No RPG (Reeducação  postural global), serão trabalhados os músculos que agem na manutenção da postura, conhecidos também como antigravitacionais, estes músculos são organizados em cadeias musculares. Esta técnica terapêutica se utiliza de posturas especificas para fortalecimento, reorganização e alongamento dos músculos das cadeias musculares, sendo de grande importância no controle da dor coluna lombar tão prevalente entre as gestantes, contribuindo para diminuir as tensões musculares, principalmente de cadeia muscular posterior da região lombar, proporcionando reequilíbrio muscular e realinhamento postural, já que nesta fase o aumento do peso corporal resulta em mudança no centro de gravidade, interferindo diretamente no equilíbrio, locomoção e consequentemente na postura.


O RPG pode reduzir as limitações funcionais, ou seja, melhora a capacidade da gestante em realizar suas tarefas diárias de um modo geral, contribuindo para a melhora da qualidade de vida da mulher e uma gravidez mais tranquila. O número de sessões pode variar dependendo de cada caso, mas normalmente são necessárias de uma a duas sessões semanais durante pelo menos 2 a 3 meses.


É importante enfatizar que a assistência a gestante deve ser multidisciplinar, como preconiza o Ministério da Saúde, oferecendo a mulher, um atendimento que vai além do diagnóstico e tratamento médico convencional relacionado ao bom andamento da gestação. A assistência pré natal deve visar a saúde e qualidade de vida geral da mulher.
A assistência multidisciplinar prevê o trabalho em equipe de profissionais como: psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos, entre outros. Dentro desta nova perspectiva de trabalho interdisciplinar, observa-se que o profissional fisioterapeuta tem fundamental importância e o RPG é uma ferramenta fundamental para um bom andamento da gestação.


Hugo Duarte Campos

Crefito: 168820-F

(13) 98808-6316

terça-feira, 16 de junho de 2015

Entendendo a Hérnia de disco - como ocorre?

Os discos intervertebrais funcionam como amortecedores deformando-se na compressão e, depois voltando ao seu estado normal. As más posturas tanto estáticas (sentado no sofá incorretamente por ex.) como dinâmicas (dobrar as costas para erguer um peso do chão), assim como espasmos musculares crônicos impedem que os discos se reidratem adequadamente e mantenham uma vascularização adequada principalmente em relação a circulação de retorno, favorecendo a chamada estase sanguínea. Todo esse processo de desequilíbrio contribui para um processo degenerativo do disco.


Com o tempo, podem ocorrer pequenas fissuras do anel fibroso (parte externa do disco) e fragmentação do núcleo. Estes fragmentos passam a pressionar o anel fibroso. Com o anel fibroso fragilizado e apresentando fissuras, estes fragmentos no núcleo podem sair através destas fissuras quando o individuo realiza um movimento de extensão após uma flexão da coluna (curvar-se para frente e retornar).
Como consequência do acontecimento anterior, ocorre uma pressão sobre o ligamento longitudinal posterior (ricamente inervado), gerando espasmos musculares reflexo que bloqueará a saída do núcleo do disco.



Na região da quinta vértebra lombar e primeira sacra, pode ocorrer a compressão do nervo ciático, conhecida como neuralgia ciática.


A hérnia de disco é mais comum por volta dos 40 anos de idade e normalmente é o resultado de microtraumas causados pelas más posturas. O agravamento do problema normalmente se dá durante um movimento brusco, queda ou trauma

Dr Hugo D. Campos
Osteopatia - RPG

terça-feira, 9 de junho de 2015

A osteopatia no tratamento da dor nas costas

Uma pesquisa realizada nos EUA, constatou que cerca de 50 milhões de americanos sofrem de dor crônica na coluna vertebral. A dor na coluna ou nas costas pode ter vários motivos: má postura, falta de atividade física, trauma, etc. A dor pode ter várias características, podendo ser ocasional, durante um movimento ou não, em pontada, pode ser uma dor continua em queimação e até mesmo incapacidade, o famoso travamento.
Através de uma avaliação especifica, o fisioterapeuta osteopata irá identificar os locais acometidos por disfunções ou função prejudicada na coluna vertebral para, a partir daí, aplicar as técnicas manipulativas adequadas, proporcionando  que o organismo restabeleça seu equilíbrio natural e inicie um processo de autorregulação e autocura. 

Um estudo publicada no The New England Journal of Medicine, demonstrou que pessoas que receberam tratamento osteopático para dor de coluna, tiveram diminuição considerável da dor e utilizaram menos medicamento do que àqueles que não receberam tratamento com osteopatia. 
A osteopatia utiliza vários recursos de terapia manual e nem sempre a manipulação é necessária. Bons hábitos de vida como atividade física regular e moderada, assim como alimentação saudável e equilibrada e períodos de sono adequados são fundamentais para que o corpo reaja bem ao tratamento. Lembre-se: Cuidar do seu corpo antes que apareça algum problema é sempre o melhor remédio.
Referência: American Osteopathic Association.






domingo, 21 de julho de 2013

ABORDAGEM FISIOTERAPEUTICA NO PÓS OPERATÓRIO DE LIPOASPIRAÇÃO ABDOMINAL

A lipoaspiração consiste na remoção cirúrgica de gordura subcutânea, realizada por meio de cânulas submetidas a uma pressão negativa e introduzida por pequenas incisões na pele. Esse procedimento cirúrgico pode ser realizado com anestesia local (peridural) ou geral, dependendo da quantidade de gordura a ser retirada. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estabelece um limite seguro de retirada de gordura, que não pode exceder 7% do peso total do paciente (SCHWUCHOW et al., 2008).




A eficiência de uma cirurgia plástica não depende somente do seu planejamento cirúrgico, mas também dos cuidados pré e pós-operatórios, que são fatores preventivos de possíveis complicações e promovem um resultado estético mais satisfatório. O não encaminhamento ao tratamento pós-operatório ou o encaminhamento tardio (após 25º – 30º dia de PO) podem privar o paciente de adquirir uma recuperação mais saudável, mais curta e com menos sofrimento físico e/ou psicológico, além de poderem comprometer o resultado final da cirurgia (TACANI et al., 2005).
As complicações mais comuns no pós operatório de lipoaspiração são: hematomas e seromas (normalmente ambos tem melhora espontânea), infecções, fibrose, aderência, hiperpigmentação cutânea (equimose), embolia gordurosa, depressões, perfuração abdominal, necrose e complicações vasculares como trombose venosa profunda (TVP) que pode ocorrer em qualquer tipo de cirurgia, e que apesar de não ser muito frequente é uma das principais causas de óbito em lipoaspiração.


As complicações citadas podem ser evitadas através da correta indicação da cirurgia e pela pratica correta dos procedimentos cirúrgicos, assim como os cuidados específicos, que devem ser tomados tanto no pré, inter e pós-operatório, tanto pelo médico quanto pela equipe multidisciplinar que geralmente esta acompanhando o paciente.
A fase de recuperação é dividida em: inflamatória, proliferativa e de remodelação. 
Estas fases são separadas apenas didaticamente, ocorrendo na realidade superposição e transição contínua e gradual de uma fase para outra. 

Tratamento fisioterapêutico:
Alguns autores relatam que o atendimento fisioterapêutico deve ser iniciado num período de 72 horas a 15 dias após a cirurgia, porém o mesmo pode ser inciado imediatamente dependendo do método utilizado, quantidade de gordura aspirada, experiência do cirurgião, etc. Quanto antes iniciar o tratamento fisioterapêutico, menor o risco de complicações. 
A drenagem linfática manual e o ultrassom de 3MHz são os recursos fisioterapêuticos mais utilizados no pós operatório de lipoaspiração.




A drenagem linfática utilizada no pós-operatório em mulheres submetidas à lipoaspiração diminui o edema, a dor e a ingesta de medicamentos (analgésicos).
A utilização do ultrassom de 3MHz no pós-operatório imediato está ligada ao processo de 
cicatrização. Sua eficácia já está comprovada por inúmeros trabalhos, sendo os protocolos mais efetivos os iniciados imediatamente após a ocorrência da lesão, ou seja, durante a fase inflamatória. O objetivo da utilização precoce do ultrassom é melhorar tanto a circulação sanguínea quanto linfática, possibilitando assim uma melhor nutrição celular. A diminuição da dor também é requerida nesta fase. A reabsorção de hematoma é de vital importância nesta primeira fase, já que a sua evolução pode concorrer para a formação de fibroses. Caso o processo de reparo esteja concluído e existam aderências e fibroses instaladas, o ultrassom pode ser utilizado como coadjuvante na diminuição dessas sequelas, aumentando a elasticidade do tecido conjuntivo.


Este artigo tem unicamente caráter informativo / Consulte sempre um profissional habilitado.

sábado, 23 de março de 2013

O MEL NO TRATAMENTO DA TOSSE EM CRIANÇAS

A TOSSE É UM SINTOMA COMUM EM CRIANÇAS PREJUDICANDO A QUALIDADE DO SONO. OS MEDICAMENTOS DISPONÍVEIS NÃO TEM EFICÁCIA COMPROVADA E MUITOS APRESENTAM EFEITOS COLATERAIS.
EM UMA PESQUISA PUBLICADA NO OFFICIAL JOURNAL OF THE AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS EM 2012, COHEN E COLABORADORES DEMONSTRARAM QUE O MEL É EFICAZ NA MELHORA DA TOSSE EM CRIANÇAS QUANDO COMPARADA A ADMINISTRAÇÃO DE PLACEBO. A PESQUISA FOI REALIZADA EM CRIANÇAS DE 1 A 5 ANOS DE IDADE QUE APRESENTAVAM TOSSE NOTURNA COM DURAÇÃO MENOR QUE SETE DIAS. O ESTUDO COMPAROU TRÊS TIPOS DE MEL: EUCALIPTO, CÍTRICO E FLORAL,  EVIDENCIANDO QUE TODOS SÃO EFICAZES NA DIMINUIÇÃO DA TOSSE.
SEGUNDO A PESQUISA, A ADMINISTRAÇÃO DO MEL DEVE SER REALIZADA EM DOSE ÚNICA (UMA COLHER) 30 MINUTOS ANTES DE DORMIR. OS BENEFÍCIOS FORAM: DIMINUIÇÃO DA FREQUÊNCIA E DA GRAVIDADE DA TOSSE E MELHORA DA QUALIDADE DO SONO. É COMUM A INTOLERÂNCIA DA CRIANÇA AOS XAROPES, O QUE NÃO ACONTECE COM O MEL DEVIDO AO SEU GOSTO AGRADÁVEL.



A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE RECOMENDA MEL PARA O TRATAMENTO DA TOSSE NOTURNA EM CRIANÇAS.

REFERÊNCIA: 
http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2012/08/01/peds.2011-3075.long

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

REIDRATAÇÃO, EXERCÍCIO FÍSICO E CALOR


 Praticar atividade física durante o período de calor intenso requer alguns cuidados para que a performance física e principalmente a saúde não sejam afetadas. Óbviamente, em dias mais quentes as atividades ao ar livre são as mais indicadas, porém, pode-se praticar exercícios de forma segura também em ambientes fechados, desde que os mesmos sejam bem ventilados e seja feita uma reidratação adequada.

EFEITOS CARDIOVASCULARES:
Quando realizamos atividade física em situação de estresse térmico, o organismo realiza alguns ajustes cardiovasculares como diminuição da pressão arterial, aumento das concentrações de lactato, redução do fluxo sanguineo total, aumento da frequência cardíaca, entre outros eventos. O calor excessivo provoca vasodilatação do sistema arterial e venoso periférico que provoca, por sua vez, vasoconstrição dos músculos que estão atuando e alguns órgãos vitais como fígado e rins. Esta redistribuição do fluxo sanguíneo impõe uma sobrecarga ao sistema cardiovascular, causando aumento da frequência cardíaca.

FADIGA:
É comum observarmos queda no desempenho físico durante exercícios físicos em situações de desconforto térmico. Isto ocorre principalmente devido a vasoconstrição dos músculos em ação que provoca redução da circulação muscular, diminuindo assim o transporte de oxigênio até as células musculares. Outro evento é a redução da oferta sanguinea para o fígado provocada pela vasoconstrição, diminuindo a capacidade do fígado de captação e metabolização do lactato produzido nos músculos.

HIDRATAÇAO E REIDRATAÇÃO:
A reidratação inadequada pode provocar hipertermia e choque térmico por comprometimento do sistema termoregulador. A hidratação deve iniciar cerca de 30 minutos antes da atividade física. É bom lembrar que durante o exercício, principalmete em temperaturas elevadas, o organismo diminui consideravelmente a produção de urina. Alguns pesquisadores como Lamb e Mac Ardle sugerem uma quantidade de líquido entre 200 e 250 ml de 15 em 15 minutos.  Segundo Fox, Astrand, Rodhal, Mc Adle entre outros, a temperatura ideal dos líquidos não deve ser inferior a 5 nem superior a 15 graus. A reidratação deve continuar logo após o exercício, pois mesmo repondo líquido adequadamente durante a atividade ainda há um déficit hidrico no organismo.

ÁGUA OU SOLUÇÕES COM ELETRÓLITOS?

Ainda não há consenso na literatura sobre a necessidade de eletrólitos na reidratação, pesquisadores como Fox e Armstrong são favoráveis a ingestão de uma solução hipotônica com eletrólitos nas soluções hidratantes. Vários outros pesquisadores como Lindeman, Wootton, Katch e MacArdle se contrapõem a presença de eletrólitos nas soluções hidratantes, segundo eles, a presença de eletrólitos em vários litros de suor perdido é insignificante. Perdas significativas de potássio podem ocorrer durante atividades muito intensas, de longa duração e em calor excessivo. Esta perda pode ser reposta facilmente com frutas cítricas e banana.

REPOSIÇÃO ENERGÉTICA
A desidratação, a hipertemia e o esgotamento das reservas coporais de glicogênio são os maiores limitantes da performance física. Neste sentido, várias soluções comerciais como Gatorade foram desenvolvidas para atender a esta necessidade do organismo. Segundo alguns pesquisadores, a presença de glicose e frutose nas bebidas hidratantes auxiliam no desempenho durante os exercícios físicos através de uma maior economia do glicogênio muscular e hepático. Algumas pesquisas demonstram que a quantidade ideal de carboidratos nas soluções fica em torno de 5%, em proporções maiores o esvaziamento gástrico é mais demorado implicando em absorção mais lenta. Certas formas de carboidratos podem passar pelo intestino mais rapidamente que outras, sendo a maltodextrina a que possui maior osmoralidade, representando um esvaziamento gástrico e absorção mais rápido. É importante salientar que em situações extremas onde a necessidade de reidratação é alta, a reposição hídrica com preparados com 5% de glicose acaba retardando a reposição dos líquidos perdidos. Portanto, durante as atividade em calor intenso deve-se dar prioridade a reidratação com água, deixando a reposição energética para um outro momento.


sábado, 15 de dezembro de 2012

VIVEMOS MAIS, PORÉM COM MENOS QUALIDADE DE VIDA



ANOS A MAIS DE VIDA TEM MENOS QUALIDADE

Os anos a mais estão sendo vividos com menor qualidade de vida por causa de problemas de saúde.



O aumento da expectativa de vida da população mundial nos últimos 20 anos veio acompanhado de uma má notícia: os anos a mais estão sendo vividos com menor qualidade de vida por causa de problemas de saúde.

Um conjunto de estudos publicados ontem pela revista médica "Lancet" avaliou o impacto das doenças na população global. Pesquisadores de 50 países, Brasil inclusive, analisaram um grande volume de dados, como incidência de doenças, motivos de internação hospitalar e mortalidade em todos os cantos do mundo para produzir um retrato das condições de saúde em 2010.


Um dos artigos, liderado por Joshua Salomon, da Escola de Saúde Pública de Harvard, mostra o descompasso entre a vida longa e a vida saudável. O trabalho comparou as condições de saúde entre 1990 e 2010 em 187 países. Os resultados mostram que um ano a mais de vida corresponde, na verdade, a 0,8 ano vivido com saúde. E quanto mais a expectativa de vida aumenta, maior é o degrau entre a longevidade e a qualidade de vida.

Em 2010, a expectativa de vida saudável média era de 58,3 anos para um homem e de 61,8 anos para uma mulher. Em relação a 1990, isso representou um ganho de quatro anos com saúde, mas a expectativa de vida total cresceu bem mais nesse período (4,7 anos para eles e 5,1 anos para elas).

Isto é, todos vivem mais mas com menos qualidade. 


O problema, dizem os autores, é que os ganhos na saúde observados nas últimas décadas se deveram mais à redução da mortalidade infantil do que ao combate às doenças crônicas e suas consequências.


Transtornos mentais como a depressão são responsáveis por metade dos anos vividos com alguma sequela incapacitante, segundo os pesquisadores Alan Lopez e Theo Vos, da Universidade de Queensland, na Austrália.


A pressão alta é, agora, o maior fator de risco para doenças, causando 9,4 milhões de mortes em 2010, seguido pelo tabagismo e o consumo excessivo de álcool.


Os dados devem servir como alerta para a comunidade global, diz a equipe de Harvard. "As Metas do Milênio [estabelecidas pelas Nações Unidas] se concentraram na redução da mortalidade por causas específicas como HIV, tuberculose e malária. Enquanto isso, a prevalência de doenças incapacitantes mudou pouco."


Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, afirma, no entanto, que o enfrentamento às doenças crônicas começa a ganhar a visibilidade devida. Ele lembra que, no ano passado, a ONU realizou uma reunião de cúpula para discutir o impacto das doenças crônicas e que, em maio de 2013, devem ser estabelecidas metas para o combate a doenças como câncer, diabetes e problemas cardíacos.


Segundo Barbosa, que foi entrevistado para a série de estudos, podem ser decididos requisitos para o acesso a exames de mamografia e câncer do colo do útero, redução no consumo de sal e mortalidade precoce.


"Se não atacarmos as doenças crônicas, as pessoas vão viver mais mas com sequelas de AVC (acidente vascular cebral), amputação por causa de diabetes, diálise." 


FONTE: FOLHA

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Efeitos da associação dos exercícios aeróbios e resistidos na melhora do desempenho cardíaco.

O envelhecimento causa perda de força e massa muscular, isto ocorre pela pela diminuição da área de secção transversal do músculo e perda de unidades motoras. A aptidão cardiorespiratória também sofre declínio devido a diminuição da frequência cardíaca e capacidade de ejeção máxima do coração durante o esforço, isto resulta em diminuição da quantidade de sangue que chega aos músculos. Desta forma, o VO2 max (capacidade de captar, transportar e metabolizar oxigênio nos músculos esqueléticos) do individuo declina, impedindo-o de manter a atividade por muito mais tempo sem que se instale um estado de  fadiga. Estas alterações são comuns ao envelhecimento, mas podem acentuar-se pelo sedentarismo, predispondo a pessoa a doenças cardiovasculares e outras cronico degenerativas.
Estudos recentes demonstram que a combinação de exercícios resistidos (musculação) e aeróbios pelo menos duas vezes por semana é capaz de diminuir a pressão arterial e frequência cardíaca em repouso, assim como sua rápida recuperação após o exercício. A rápida recuperação da frequência cardíaca após ao esforço está ligada a baixo risco de doença coronariana e cardiovascular. Devemos saber que os benefícios de um treinamento composto por exercícios resistidos e aeróbios dependem de sua regularidade e intensidade (que deve ser moderada). 




Referências:

-Mediano MFF, et al. Comportamento subagudo da pressão arterial após
treinamento de força em hipertensos controlados. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2005.

-Jacob W. Atividade física e envelhecimento saudável. Revista Brasileira de Educação Física. 2006.

- Locks RL, et al. Efeitos do treinamento aeróbio e resistido nas respostas cardiovasculares de idosos ativos. Revista Fisioterapia e Movimento. 2012.

domingo, 2 de dezembro de 2012

EVITE DORES NAS COSTAS CUIDANDO BEM DA SUA COLUNA



Nossos problemas posturais e a consequente dor nas costas normalmente teve início na infância, através das posturas inadequadas em sala de aula, da mochila pesada e mal ajustada ao corpo, etc. Portanto, a dor nas costas de hoje é fruto de posturas inadequadas realizadas dese a nossa infância e ao longo de nossas vidas. O grade erro das pessoas é lembrar da coluna quando sentem dores. O ideal é a prevenção através de bons hábitos posturais evitando assim uma velhice menos sofrida e limitada. 

Responsável pela sustentação e movimentação do corpo, a coluna vertebral une delicadeza e resistência. É delicada porque entre suas 33 vértebras passa a medula espinhal - estrutura sensível que funciona como canal de comunicação entre o cérebro e as demais partes do corpo. É resistente porque representa 40% do tamanho do ser humano e proporciona a flexibilidade e os movimentos realizados pelo corpo.

“A coluna é uma estrutura que tem de ser respeitada e utilizada adequadamente”, alerta José Goldenberg, autor do livro Coluna Ponto e Vírgula , especialista em doenças da coluna vertebral, professor livre-docente da Unifesp, reumatologista e membro do grupo de coluna do Einstein.
Segundo o reumatologista, 8 em cada 10 pessoas sofrem ou vão sofrer de dores na coluna ao longo da vida. E isso ocorre porque poucos têm a consciência corporal necessária para manter a postura correta.

As dores

É comum ouvir as pessoas queixarem-se de dor na coluna. Elas podem ser consequência de noites mal dormidas, vícios posturais e esforço acima do normal, entre outros Para facilitar a compreensão das dores e suas causas, foram divididas em três segmentos, correspondentes às partes da coluna:
  • lombar: localizada acima do quadril
  • dorsal: parte central das costas
  • cervical: fica entre a cabeça e o tronco
Dor lombar: está entre as dores que mais acometem o ser humano, perdendo apenas para a cefaleia. Atinge 80% da população adulta com menos de 45 anos. Chamada de lombalgia, afeta a coluna lombar e não é doença, mas um sintoma que pode ter mais de 50 causas diferentes.

Dor dorsal: menos frequente, apresenta características próprias. A dor acomete a região torácica posterior (região das costas).
Dor cervical: é caracterizada por dor e rigidez transitória na região entre o tronco e a cabeça e tem causas diversas. Costuma se manifestar mais em idosos, profissionais que executam atividades braçais ou que adotam vícios posturais.

Todas essas ações têm como protagonista a coluna. E cada vez que são realizadas de forma incorreta, prejudicam a postura e, consequentemente, a coluna. Esse desgaste, somado durante anos, pode resultar em problemas como a escoliose.Ao longo do dia, quantas vezes é preciso sentar, levantar, entrar e sair do carro, carregar sacolas pesadas ou pegar algum objeto que caiu no chão?
Há alguns fatores de risco que colaboram para causar dores na coluna:
  • Excesso de peso
    É o maior inimigo da coluna. Como explica o dr. Goldenberg em seu livro, ao aumentar 10 quilos do peso adequado, o risco para a coluna aumenta em 25%.
  • Sedentarismo
    A coluna agradece a prática de exercícios. Vários fatores fazem das atividades físicas grandes colaboradoras do corpo. Entre eles: fortalecimento muscular, aumento da flexibilidade e melhora da irrigação sanguínea das fibras musculares da região dorsal.
  • Carregar peso de forma excessiva
    Apoiar bolsas ou sacolas pesadas em um só lado do corpo pode agravar as dores na coluna.
  • Cigarro
    Tem substâncias que prejudicam a circulação sanguínea. A menor irrigação dos vasos nos discos vertebrais que protegem a coluna faz com que esses percam a maleabilidade. Como sua função é absorver os impactos que a coluna sofre no dia-a-dia, é como se ficássemos sem nosso “amortecedor” natural.
  • Idade
    É o único fator de risco que não pode ser alterado. As pessoas com mais de 60 anos têm mais chances de sofrerem de dores na coluna. O que pode ser feito é desenvolver a consciência corporal ao longo da vida.
  • Falta de consciência corporal
    Saber como levantar da cadeira e da cama, como se sentar adequadamente, como se vestir e até escovar os dentes e cortar os alimentos fazem parte da consciência corporal.
  • Reeducação Postural
    Adotar hábitos de vida saudáveis, como praticar atividades físicas, manter o peso adequado e não fumar colaboram para a saúde da coluna. Entretanto, boa parte das dores é causada por problemas de postura incorreta. Nesses casos, além dos hábitos saudáveis é preciso se valer da reedução postural.
Conheça as dicas dos especialistas em coluna do Einstein:
  • Sentar-se com conforto
    Apoie as costas no encosto da cadeira, de maneira que os joelhos fiquem acima do nível do quadril e os pés fiquem bem apoiados no chão. Se possível, use ainda apoio para os pés e prefira cadeiras com braços, pois não forçam a coluna e facilitam o ato de levantar.
  • Divisão de peso
    Na hora de carregar bolsas, malas e pacotes, divida os pesos igualmente nos dois lados do corpo. Levar tudo em um dos braços pode trazer complicações e dores na coluna.
  • Levantamento de objetos
    Para levantar qualquer objeto do chão, dobre os joelhos (fique de cócoras). Assim o peso será absorvido pelos músculos das pernas e não pela coluna vertebral. Jamais curve apenas as costas para alcançar e levantar qualquer objeto, mesmo os mais leves.
  • Entrar e sair do carro
    Tanto para entrar como para sair do automóvel fique sentado, gire as pernas e o tronco ao mesmo tempo (para dentro ao entrar; para fora ao sair do veículo). É importante evitar torcer as costas.
  • Máximo alcance
    Use banco ou escada sempre que o objeto estiver numa altura acima de sua cabeça. Nunca estique as pernas nem force a coluna para alcançar o que deseja.
  • Bem-vestido
    Vista as roupas sentado. Sua coluna agradece. Calçar meias e sapatos e mesmo vestir uma calça em pé, dobrando-se para frente, pode causar dores nas costas e na região lombar, devido à torção que a coluna precisa realizar.
  • Tratamentos
    É comum utilizar – e até abusar – de analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares quando se trata de dores nas costas. Muitas vezes um desses medicamentos pode bastar para conter a dor. Entretanto, o indicado é sempre procurar um especialista: a dor pode esconder algum problema mais sério e, em todos os casos, descobrir sua origem é fundamental para evitar o agravamento da condição.
Referência: http://www.einstein.br/einstein-saude/bem-estar-e-qualidade-de-vida/Paginas/capa.aspx



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pesquisas recentes demonstram ineficácia da tração no tratamento da hérnia de disco lombar.

A tração lombar realizada por mesa de tração eletrônica tem, a princípio, o objetivo de tratar as hérnias discais. Esta técnica ficou famosa nos anos 70 e 80 e ainda hoje é bastante utilizada. Supostamente, a técnica tem o objetivo de aumentar os espaços foraminais ou do canal vertebral reduzindo a herniação, ou seja, fazer com que a hérnia retorne para dentro do núcleo do disco, deixando de pressionar raízes nervosas e medula. Porém, estudos recentes demonstram que seu efeito é apenas momentâneo.

Cochrane Collaboration, importante e conceituada entidade internacional que recebe colaboração de instituições cientificas da área da saúde de mais de 100 países, publicou uma revisão da literatura com 25 estudos e mais de 2000 pacientes, onde constatou-se a ineficiência da técnica de tração lombar realizada por equipamentos para portadores de com dor ciática, dor lombar aguda, sub aguda ou crônica. 
Os resultados dos estudos disponíveis que envolvem grupos misturados de pacientes agudos, sub-agudos e crônicos com a dor lombar com e sem a ciática eram completamente consistentes, indicando que a tração contínua ou intermitente como um único tratamento para a dor lombar não é provavelmente eficaz para este grupo. A tração para pacientes com ciática também não pode ser considerada eficaz tampouco, devido aos resultados incompatíveis e aos problemas metodológicos na maioria dos estudos.
A técnica milagrosa para as lombalgias, principalmente as crônicas ainda não existe. Muita gente vende esta idéia e acaba frustando seu paciente, pois na maioria dos casos,  a melhora é momentânea com as dores retornando após algumas horas ou dias. O tratamento dos problemas lombares é complexo e exige uma abordagem com técnicas variadas e especificas para cada caso. A aquisição de bons hábitos de vida e posturas adequadas  tem fundamental participação no sucesso do tratamento das lombalgias.

Na figura abaixo, a ilustração da técnica de tração lombar com máquina de tração:




domingo, 11 de novembro de 2012

FASCIA TÓRACO LOMBAR E ESTABILIZAÇÃO LOMBAR

Cerca de 70 a 80% da população dos países industrializados já apresentou algum tipo de dor lombar pelo menos uma vez na vida. Vários fatores podem predispor o individuo as dores lombares. Atividades físicas mal orientadas assim como posturas inadequadas no lar ou no trabalho que incluem flexão de tronco ou manutenção de posturas únicas são as maiores causadoras dos incômodos lombares.
A prevalência da dor lombar aumenta após os 25 anos de vida, com um pico na faixa etária entre 50 a 60 anos. Homens e mulheres são afetados de forma semelhante.
A região lombar é responsável pela acomodação de cargas provenientes do peso corporal e forças externas aplicadas sobre suas estruturas. É uma região que deve ser ao mesmo tempo forte e rígida para realizar adequadamente suas funções. Para isto, existem mecânismos que garantem a manutenção do alinhamento das vértebras. Quando estes mecanismos entram em desequilibrio, ocorre a instabilidade, que sobrecarrega as estruturas locais, originando a dor.
A fáscia tóraco lombar (FTL) é uma forma de invólucro aponeurótico, forte e complexo, que atua como um imenso ligamento conectando as costelas, vértebras e sacro. Envolve os músculos da coluna lombar, formando três compartimentos: anterior, médio e posterior.  Mantem conexão principalmente com o oblíquo interno,  externo, grande dorsal, quadrado lombar, transverso abdominal e glúteo máximo.  Sua camada posterior envolve os músculos posteriores da coluna da região sacral até a fáscia nucal. A FTL é uma estrutura passiva, que devido à sua conexão com os diversos grupos musculares, comporta a função de suporte mecânico e participa dinamicamente no mecanismo de estabilização lombar.



A fascia tóraco lombar é capaz de promover um suporte passivo suficiente para diminuir em até 55% o stress sobre a coluna lombar durante a flexão de tronco. Durante a realização de movimentos ela exerce manutenção do alinhamento do tronco. Na rotação de tronco, realiza a distribuição de forças entre a coluna, pelve e pernas, proporcionando estabilidade para a região lombar baixa.
Em um estudo realizado por Bednar et al (1995) comprovou-se a existência de focos de calcificação e pré-calcificação em amostras de fáscias de cadáveres, com história de dor lombar mecânica crônica. Essas amostras também apresentaram hipertrofia multilâminar. Diante das anormalidades patoanatômicas encontradas, confirmou-se a importância da FTL como componente ativo na coluna lombar.
No sistema ativo, FTL age indiretamente pela ação dos músculos que a tencionam, por estarem diretamente conectados a ela, são eles: grande dorsal, transverso abdominal, obliquo interno, obliquo externo, glúteo máximo e quadrado lombar.
A FTL também atua no sistema neural por possuir papel proprioceptivo na prevenção de lesões controlando o deslocamento e posicionamento vertebral.
O tônus fasciaL é regulado pelo sistema nervoso autônomo. O pH corporal desempenha um importante papel na tensão fascial, já que um pH muito alcalino cria vasoconstrição e um tônus muscular aumentado. O pH corporal pode ser influenciado por um aumento nos níveis de stress, pois este é responsável pelas alterações na respiração, causando alterações no CO2 expirado. Técnicas como meditação e relaxamento podem ajudar o individuo a respirar de forma adequada e controlar o stress. Para atletas, é fundamental saber administrar o stress durante os treinos e antes das competições. O PH corporal adequado previne lesões e melhora o rendimento.
No sistema passivo a lâmina profunda da camada posterior apresenta importante papel ligamentar na resistência a flexão. Devido ao importante papel da FTL no mecanismo de estabilização lombar, o homem tem a capacidade única de elevar objetos pesados acima da cabeça e de estabilizar o tronco para lançá-los em alta velocidade. A capacidade estabilizadora segmentar da FTL ocorre devido a sua íntima ligação com os músculos lombares.
O transverso abdominal está inserido na FTL fornece estabilidade a toda coluna lombar e tem papel importante na estabilização segmentar de rotação e translação do tronco. Este mecanismo ocorre devido a elevação da pressão intra-abdominal e tensionamento da FTL. Estudos mostram que o transverso abdominal é contraído antes da perturbação do tronco ou movimento rápido e multidirecional dos membros. Uma ativação atrasada desses músculos determina falha na estabilização, este fato está relacionado a  pacientes com lombalgia crônica.


 O músculo glúteo máximo age em conjunto com a FTL para iniciar o movimento de extensão da coluna, partindo de uma posição completamente fletida.
O músculo grande dorsal apresenta ação, via tensão da camada posterior da FTL.Devido a esta conexão há uma melhora do mecanismo de alinhamento lombopélivico.
Apesar de todas as comprovações é importante salientar que a atuação da FTL é complementar no mecanismo de estabilização lombar, pois por ser uma estrutura passiva não apresenta suporte mecânico isolado suficiente para estabilizar a coluna quando forças externas são aplicadas.
A FTL participa do mecanismo de estabilização lombar em situações dinâmicas, porém não deve ser superestimada. Uma estabilização adequada depende do sinergismo entre os mecanismos passivo, ativo e neural. Logo, a reabilitação de pacientes lombálgicos deve se basear em atividades que aprimorem a função de cada um dos componentes deste complexo mecanismo de estabilização.


RERERÊNCIAS:

Schleip R, Klinger W, Lehmann-Horn F. Fascia is able to contract in a smooth muscle-like manner and therby influence musculoskeletal mechanics, 2006. 


Craig Liebenson. Journal of Bodywork and Movement Therapies (2004) 8, 43–45

BISSCHOP, Pierre. Instabilidade Lombar : Implicações para o Fisioterapeuta. Revista Terapia Manual. –Vol I, Nº 4 - abril/junho.

COX, James M. Dor Lombar: Mecanismo, diagnostico e tratamento. 6ª ed. Manole: São Paulo, 2002.

COX, JM. Reabilitação do paciente com Dor Lombar. In: Cox JM. Dor lombar: Mecanismos, diagnóstico e tratamento. 6ºed. São Paulo: Monole, 2002.